domingo, 28 de agosto de 2011

Sem criatividade para títulos bons #2

A gente encara coisas difíceis todos os dias. As vezes, acordar de manhã e levantar de uma cama que parece te agarrar com 30 braços é o maior desafio. Sentimos a luz do Sol arder nos olhos logo cedo, às vezes vamos para o colégio sem tomar café e nossa próxima refeição é no almoço. Vimos crianças no meio das ruas, mas isso já entrou pra "Lista de Banalidade dos Seres Humanos". Vimos nossos pais morrendo de trabalhar as vezes. Vimos alguns de nossos sonhos já escapando por entre nossos dedos. E dói. Quantas coisas doem.

Mas e perder? Perder uma partida de futebol na terceira série, fere o orgulho.
Perder a eleição de líder de turma na sexta série, fere a motivação.
Perder as chaves de casa, fere a confiança.
E perder alguém? Perder um namorado, dói. E eu sei bem como dói.
Perder um amigo, dói trilhões de vezes mais. E eu continuo sabendo como dói. Bem sei.
Perder um amigo pra sempre, são outros 500.

Dói como um buraco no meio do corpo que pode ficar aberto pra sempre.
Eu já lidei com a perda. Encarei a morte de alguém que eu amava de frente. E tive que fazer isso três dias depois de uma das minhas melhores amigas se mudar. Doeu cara. Doeu de uma forma que eu só queria me deitar na cama e vazar por cada poro do meu corpo até a dor passar. E era um animal. Era minha Xanduka. A dor continuou tão latente (e ainda continua) que mesmo depois de 4 meses, se eu visse um cachorro pulando e sendo "vivo", eu chorava.
Mas o que eu podia fazer? O que a gente faz nessas horas?
Se a gente que tá na situação não sabe, imagina quando não é a gente.
É alguém próximo, é alguém que a gente gosta.

Acho que as vezes um abraço sela qualquer dor. Umas poucas palavras. Um "ei, a gente tá aqui, viu?". Eu só queria, que você soubesse, é, você sabe que isso tudo é pra você, que a gente tá aqui. Numa hora nessas, você pode chorar e ficar triste e querer ter feito um monte de coisas diferentes pra fazer cada simples momento ter valido a pena. Eu sei que dói, cara. Eu sei que uma parte de você se recusa a acreditar.

Mas não foi sua culpa. Não havia nada que você pudesse ter feito. E esse pensamento conformista acaba com qualquer um, mas alivia muito a dor com o passar do tempo.
Para todos os casos, a gente tá aqui. Sei que nenhuma de nós substitui ela no seu coração, na sua vida, mas também temos nossos papeis e queremos seguir com eles. Te ajudando, estando do teu lado.

A gente te ama. E a gente entende.
Eu, pelo menos, entendo.

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